segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

DIA 03 DE FEVEREIRO
MEMÓRIA DE SÃO BRÁS, BISPO E MÁRTIR


História
São Brás nasceu na Armênia, foi médico e depois bispo de Sebaste, onde sofreu o martírio por não sacrificar aos deuses pagãos.

É invocado especialmente contra as doenças da garganta, porque certa vez salvou, conforme narram as Atas de sua vida, um menino que estava para morrer por ter engolido uma espinha de peixe. 

São Brás é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao longo de séculos e, até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho se engasga ou apresenta problemas de garganta.

A bênção de São Brás é procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, e é ministrada em muitas igrejas do mundo cristão.

É considerado protetor da garganta porque consta que uma mãe aflita jogou-se aos seus pés pedindo que socorresse o filho, que agonizava engasgado com uma espinha de peixe atravessada. O santo rezou, fez o sinal da cruz sobre o menino e este se levantou milagrosa e imediatamente como se nada lhe tivesse acontecido.

Naqueles anos de grandes perseguições aos cristãos, muitos eram torturados e mortos na mão dos poderosos pagãos. Brás abandonou o bispado e se protegeu na caverna de uma montanha isolada e mesmo assim, depois de descoberto e capturado, morreu em testemunho de sua fé sob as ordens do imperador Licínio, em 316.

Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, a fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante. O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia, primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte.

O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Nessa ocasião uma repentina tempestade interrompe a viagem na altura da cidade de Maratea, em Potenza; e alí os fieis acolhem as relíquias do santo numa pequena igreja, que depois se tornaria sua atual basílica e a localidade receberia o nome de Monte São Brás.

Em 1983, no local da igrejinha inicial foi erguida uma estátua de São Brás, com a altura de vinte e um metros

FONTE: http://www.paroquiasaobras.com.br/index.php/historia-de-sao-bras


Oração de São Brás
(Esta oração pode ser rezada pelos fiéis)

Ó glorioso São Brás, que restituístes com uma breve oração a perfeita saúde a um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, estava prestes a expiar, obtende para nós todos a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta. Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. São Brás, rogai por nós. Amém.
Benção de São Brás
(Esta oração de benção é rezada unicamente pelo Sacerdote no dia de São Brás, ou em qualquer outro dia quando solicitada pelos fiéis)








Sacerdote: Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Fonte: Franciscanos.org

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ATO DE CONSAGRAÇÃO AOS CORAÇÕES DE JESUS E MARIA




 Consagração aos Corações de Jesus e de Maria

Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria,
a Vós me consagro,
assim como toda minha família.
Consagramos a Vós nosso próprio ser,
toda nossa vida, tudo o que somos,
tudo o que temos, e tudo o que amamos.

A Vós damos nossos corações e nossas almas,
a Vós dedicamos nosso lar e nosso país,
conscientes de que,
através desta Consagração nós, agora,
prometemo-Vos viver cristãmente
praticando as virtudes da nossa religião,
sem nos envergonharmos de testemunhar a fé.

Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria,
aceitai esta humilde oferta de entrega de cada um de nós,
através deste acto de Consagração.
Nossa esperança é colocada em vós,
com a certeza de que jamais seremos confundidos.
Sacratíssimo Coração de Jesus, tende misericórdia de nós.

JUNHO: MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS






HISTORIA DA DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Os Santos Padres muitas vezes falaram do Coração de Cristo como símbolo de seu amor, tomando-o da Escritura: "Beberemos da água que brotaria de seu Coração....quando saiu sangue e água" (Jo 7,37; 19,35). 

Na Idade Média começaram a considera-lo como modelo de nosso amor, paciente por nossos pecados, a quem devemos reparar entregando-lhe nosso coração (santas Lutgarda, Matilde, Gertrudes a Grande,Margarita de Cortona, Angela de Foligno, São Boaventura, etc.).

No século XVII estava muito expandida esta devoção. São João Eudes, já em 1670, introduziu a primeira festa pública do Sagrado Coração. Em 1673, Santa Margarida Maria de Alocoque começou a ter uma série de revelações que a levaram à santidade e ao impulso de formar uma equipe de apóstolos desta devoção.

Com seu zelo conseguiram um enorme impacto na Igreja. Foram divulgados inúmeros livros e imagens. 

As associações do Sagrado Coração subiram em um século, desde meados do XVIII, de 1000 a 100.000. umas vinte congregações religiosas e vários institutos seculares foram fundados para estender seu culto de mil formas.

O apostolado da Oração, que pretende conseguir nossa santificação pessoal e a salvação do mundo mediante esta devoção, contava já em 1917 com 20 milhões de associados. E em 1960 chegava ao dobro em todo o mundo, passando de um milhão na Espanha; suas 200 revistas tinham 15 milhões de inscrições. A maior instituição de todo o mundo.

A Oposição a este culto sempre foi grande, sobretudo no século XVIII por parte dos jansenistas, e recebeu um forte golpe com a supressão da Companhia de Jesus (1773). Na Espanha foram proibidos os livros sobre o Sagrado Coração. O imperador da Áustria deu ordem que desaparecessem suas imagens de todas as Igrejas e capelas. Nos seminários era ensinado: "a festa do Sagrado Coração provocou um grave mancha sobre a religião". A Europa oficial rejeitou o Coração de Cristo e em seguida foi assolada pelos horrores da Revolução francesa e das guerras napoleônicas. Mas depois da purificação, ressurgiu de novo com mais força que nunca.

Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja.

Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus (o Equador tinha se consagrado em 1874). E a Espanha em 1919, em 30 de maio, também se consagrou publicamente ao Sagrado Coração no Monte dos Anjos. Onde foi gravado, sob a estátua de Cristo, aquela promessa que fez ao pai Bernardo de Hoyos, S. J., em 14 de maio de 1733, mostrando-lhe seu Coração, em Valladolid (Santuário da Grande Promessa), e dizendo-lhe: "Reinarei na Espanha com mais Veneração que em muitas outras partes" (Até então a América também era Espanha 

(FONTE: http://www.acidigital.com/fiestas/sagrado/historia.htm)





APARIÇÕES DE NOSSO SENHOR À SANTA MARGARIDA MARIA DE ALOCOQUE

1ª Promessa:“Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”.

2ª Promessa:“Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias ”.
3ª Promessa:“Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
4ª Promessa:“Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
5ª Promessa:“Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.
6ª Promessa:“Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
7ª Promessa:“As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
8ª Promessa:“As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição”.
9ª Promessa:“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
10ª Promessa:“Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.
11ª Promessa:“As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa:“A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”






ATO DE CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Me entrego e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, minha pessoa e vida, ações, dores e sofrimentos para que utilize meu corpo somente para honrar, amar e glorificar ao Sagrado Coração. Este é meu propósito definitivo, único, ser todo d'Ele, e fazer tudo por amor a Ele, e ao mesmo tempo renunciar com todo meu coração qualquer coisa que não lhe compraz, além de tomar-te, Ó Sagrado Coração, para que sejas ele o único objeto de meu amor, o guardião de minha vida, meu seguro de salvação, o remédio para minhas fraquezas e inconstância, a solução aos erros de minha vida e meu refúgio seguro à hora da morte. Seja, Ó Coração de Bondade, meu intercessor ante Deus Pai, e livra-me de sua sabia ira. Ó Coração de amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua Divindade e Bondade. Tira de mim tudo o que está mal e tudo o que provoque que não faça tua santa vontade, permite a teu amor puro a que se imprima no mais profundo de meu coração, para que eu não me esqueça nem me separe de ti. Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de Ter meu nome escrito em Teu coração, para depositar em ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em tua bondade. Amém




ATO DE OFERECIMENTO DE SI MESMO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Meu dulcíssimo Jesus, que em vossa infinita e dulcíssima misericórdia prometestes a graça da perseverança final aos que comungarem em honra de vosso Sagrado Coração as nove primeiras sextas feiras do mês seguidos: recordai a vossa promessa, e a mim, indigno servo vosso, que acabo de receber-vos sacramentado com este fim e intenção, concede-me que morra detestando todos os meus pecados, esperando em vossa inefável misericórdia e amando a bondade de vosso amantíssimo Coração. Amém.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico em todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós




A DEVOÇÃO DAS NOVE PRIMEIRAS SEXTAS-FEIRAS E A COMUNHÃO REPARADORA

Entre as práticas que compreende esta devoção, conformes com o fim da mesma, sobressai a da Comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, para conseguir além da graça da penitência final, segundo a promessa feita pelo próprio Sagrado Coração a Santa Margarida Maria, para todos os fiéis.

Eis aqui a promessa:
Uma Sexta feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras a sua devota serva:

"Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor todopoderoso concederá a todos os que comungarem nove primeiras sextas feiras do mês seguidos a graça final da penitência; não morrerão em pecado nem sem receber os sacramentos, e meu divino Coração lhe será asilo seguro naquele último momento".



O que é necessário fazer para obter esta graça:
Comungar nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos em graça de Deus, com intenção de honrar ao Sagrado Coração de Jesus.

Como pode ser feita:
Pela manhã pode ter a Comunhão geral em boa hora, e à tarde uma função mais ou menos breve e solene ao Coração de Jesus expondo ao Santíssimo, explicando ou lendo a intenção do mês, o algo sobre ela, rezando as ladainhas ou algum ato de desagravo ou de consagração. Caso de se poder fazer isto à tarde, pode ser feito tudo pela manhã na Missa de Comunhão ou na Missa vespertina se houver. Quando não há função ou culto público ou não se pode assistir a ele, faça-o em particular o que se faz por outros em público. Para o qual se pode rezar a oração que segue adiante, e além disso as ladainhas do Coração de Jesus ou alguma consagração ao Coração de Jesus




Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Senhor, tende piedade de nós. 
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós. 

Jesus Cristo, ouvi-nos. 
Jesus Cristo, atendei-nos. 

Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, majestade infinita, tende piedade de nós. 
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós. 
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, desejado desde toda a eternidade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, rico para todos que vos invocam, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, propiciação por nossos pecados, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Jesus, manso e humilde de coração. Fazei nosso coração semelhante ao vosso.

Oremos: 

Deus Omnipotente e Eterno, olhai o Coração do vosso dilectíssimo Filho e os louvores e reparações que pelos pecadores vos tem tributado; e aos que invocam vossa misericórdia, vós, aplacado, sede fácil no perdão, pelo mesmo Jesus Cristo que Convosco vive e reina para sempre, na unidade do Espírito Santo. Amen.

(FONTE: http://www.paroquias.org/oracoes/?o=19)

sábado, 5 de abril de 2014

HOMENAGEM


DOM FRANCISCO DE AQUINO CORRÊA
ARCEBISPO DA ARQUIDIOCESE DE CUIABÁ
PRESIDENTE DO ESTADO DE MATO GROSSO
MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
FUNDADOR DA ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS

(NASCIDO EM CUIABÁ-MT EM 02 DE ABRIL DE 19885 E FALECIDO EM SÃO PAULO-SP EM 22 DE MARÇO DE 1956)

Neste mês de Abril de 2014 celebramos os 129 anos do nascimento do Grande Arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá Dom Francisco de Aquino Corrêa. Nesta postagem FAZEMOS memória desse grande homem de Deus, da Igreja, de Mato Grosso e de toda a nossa amada Pátria, para tal, apresentamos a excelente biografia de Dom Francisco de Aquino Corrêa realizada pelo Reitor-Mor Rev. Padre Renato Ziggiotti, sdb, por ocasião da "carta mortuária" de Dom Aquino Correa no dia 22 de março de 1956  postada no site da Congregação Salesiana:

"Francisco de Aquino Correa, último de quatro irmãos, nasceu em Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso, no dia 2 de abril de 1885 do comendador Antônio Tomás de Aquino e de Maria de Aleluia Gaudie Ley.Tendo ficado órfão de mãe aos três anos, cresceu em um ambiente familiar profundamente religioso, educado sabiamente pelo pai e pela irmã mais velha Eulália, que mais tarde se tornou Filha de Maria Auxiliadora, juntamente com outra irmã ainda viva. O bom pai, modelo de piedade eucarística e de amor ao papa, lia atentamente as encíclicas, decorando trechos das mesmas, que depois defendia diante de todos com grande entusismo. Foi um dos primeiros amigos e sustentadores da Obra Salesiana em Cuiabá, e não é de estranhar que o Senhor lhe desse a honra de dar um tal filho à Sociedade salesiana e um tão grande e santo arcebispo à Igreja. Dom Aquino dele sempre se lembrava com muito carinho, mostrando comovido aos mais íntimos o anel, símples mas a ele tão querido, que levava ao dedo, presente do pai na sua consagração episcopal.

Fez os estudos primários e secundários em sua cidade natal, e apresentou-se em 1904 como primeiro candidato aos exames de madureza no Liceu Salesiano recentemente equiparado, obtendo um brilhante resultado. Em 1902 já tinha entrado no noviciado salesiano em Coxipó da Ponte onde, em 19 de março de 1903, tinha recebido o hábito clerical e iniciado o curso filosófico.Depois do exâme de madureza os superiores o enviaram para a Itália; em primeiro de outubro de 1904 emitiu os votos trienais em Foglizzo Canavese, e tres anos depois em Genzano de Roma os votos perpétuos.Contemporaneamente tinha-se inscrito na Academia Romana de S.Tomás de Aquino e na Pontifícia Universidade Gregoriana, que frequentou simultaneamente, laureando-se em filosofia e teologia. “Desde aquele tempo - escreve o Rev.mo Pe.Hermenegildo Carrá, seu companheiro de estudos e depois por 12 anos missionário em Mato Grosso - iluminava-lhe o coração o ideal de D.Bosco: “da mihi animas! “ E nós o vimos consagrar-se, corpo e alma, ao bem dos jovens do Oratório Festivo do Sagrado Coração. Lembro da sua alegria, quando um dos seus meninos ganhou o prêmio do certame catequístico entre todas as paróquias de Roma, e a sua felicidade em levar os meninos da primeira comunhão para a audiência especial concedida pelo Papa, então Pio X. Um ano depois, os superiores o escolheram como assistente do Círculo Sagrado Coração, um grupo de jovens animados que combatiam aquelas que podem ser classificadas como as primeiras batalhas da Juventude Católica Romana.”

Na capital do orbe católico recebeu todas as órdens sacras, e em 17 de janeiro coroou os seus estudos e a sua formação eclesiástica com a ordenação sacerdotal.

Retornado a Cuiabá, foi por um ano conselheiro escolar naquele colégio do qual em 1912 foi eleito diretor. Mas, somente dois anos depois, o papa Pio X o preconizava bispo titular de Prusíade, e o nomeava bispo auxiliar do venerando arcebispo de Cuiabá, Dom Carlos Luis de Amour. Consagrado na mesma cidade no dia primeiro de janeiro de 1915, com 29 anos de idade, foi ele o mais jovem bispo do mundo.

Esta sua rápida ascenção à dignidade eclesiástica foi para ele ocasião, não já de orgulho, 
mas de dolorida saudade da amada Congregação salesiana, da qual teve que afastar-se tão cedo. Dom Aquino às vezes dizia:”Eu nada posso pretender da Congregação, porque nada fiz por ela. Mas não foi por minha culpa, porque dela me separaram nomeando-me bispo.”

Com a sagração episcopal abriu-se para o novel prelado um caminho impensado de apostolado e de paz entre as opostas facções do mundo político. O Estado de Mato Grosso, naqueles anos, atravessava uma profunda crise de Governo. O Governador do Estado tinha perdido todo ascendente sobre os vários partidos, todos passados para a oposição, de forma que a sua autoridade era inoperante e o Estado se encontrava numa situação caótica; nem sequer esperava-se saná-lo com novas eleições, dada a irredutibilidade das partes opostas.

Foi o mesmo Presidente Federal do Brasil que sugeriu, por meio de um seu enviado especial, a candidatura do jovem Bispo, culto e prudente, como tentativa de reconciliação dos obstinados adversários políticos. Dom Aquino,por amor pátrio, tendo obtido a devida autorização da Santa Sé, aceitou a onerosa experiência. As eleições, realizadas no dia 1º de novembro de 1917, elevaram-no com sufrágio quase unânime à mais alta magistratura do Etado, i.é à cadeira presidencial com o título de Governador. Durante o quadriênio do seu governo alcançou-se a paz no Estado, que pôde ser reorganizado em sua admistraçaõ e levado a um verdadeiro progresso econômico e moral. Ao findar seu mandato presidencial ele viu continur aquela política de união entre as correntes opostas por ele tão bem iniciada,e,tendo falecido o arcebispo de Cuiabá, a Santa Sé o destinava-o a suceder-lhe naquela vastíssima e paupérrima Diocese.

O jovem arcebispo não desanimou diante das dificuldades. Pressionado pelas dificuldades financeiras, vendeu a bela cruz peitoral herdada do seu predecessor, e um precioso anel com uma belíssima esmeralda doado-lhe durante a sua presidência, nem esitou estender o seu ministério pastoral para outas diocese, onde a sua fulgurante palavra era esperada e procurada, para pode suprir às despesas do culto e do seminário, e nem siquer envergonhou-se de mendigar, mais para os outros que para si.

O seu apartamento episcopal se reduziu, em todos os 41 anos de episcopado, a tres pobres quartos do velho Seminário. Construiu uma nova residência episcopal, mas nela não morou.
Do seu apostolado, que bem podemos chamar de missionário, dá-nos um exaustivo e autorizado testemunho o nosso caríssimo Dom Camilo Faresin, que viveu por nove anos em Cuiabá, diretor do Colégio salesiano; cedo a ele a palavra.

“Quando Dom Aquino recebeu a arquidiocese, a sua jurisdição estendia-se sobre uma zona imensa, paupérrima, com difíceis comunicaçãoes e insalubre. Embora de constituição delicada, todavia visitava regularmente todo o imenso território , de tres em tres anos, submetendo-se à vida de um pobre missionário, pregando todas as noites durante a visita e sentando no confessionário por muitas horas.Na sede reservava para si as pregações da quaresma e os retiros espirituais pascais para as várias categorias de pessoas. Certa vez cheguei a impor-lhe que deixasse a pregação, embora ele quisesse subir ao púlpeto ambora com afebre. A sua pregação era substanciosa e maravilhosa na forma, sabendo-se adaptar aos vários ambientes com uma facilidade que surpreendia.As suas cartas pastorais, pois são verdadeiras obras primas de catequese que, impressas, não deixarão de produzir granfes frutos.Algumas já tiveram várias edições, e todas foram recolhidas em tres volumes. Tinha formado um grupo de catequistas, que ele mesmo seguia e, por muitos anos, aos domingos lhes impartia sábias normas de pedagogia e didática catequética.

Dom Aquino fez uso de seus dotes naturais assim como do seu prestígio adquirido no Brasil, unicamente com finalidade apostólica.Fez muitas conferências religiosas na Escola Militar, reduto inexpugnável do positivismo reinante na cultura do tempo, e quando pronunciou o seu discurso oficial na Academia Brasileira de Letras diante de um erudito auditório, concluiu com um hino de amor à Virgem Maria, tão cordial e vibrante, que impressionou salutarmente os que o ouviram.. Uma inteligência tão brilhante cativou muitas simpatias mesmo no campo adversário.

Durante muitos anos, a sua foi a voz oficial da Igrja e do Estado em soleníssimas ocasiões religiosas e cívicas. Fez o discurso de bertura do Congresso Eucarístico Nacional do Rio de Janeiro em 1922 e de Porto Alegre em 1948; no Concílio Plenário Brasileiro proferiu o elogio fúnebre de todos os bispos do Brasil; e foi ele tambem que fez o discurso oficial para o soleníssimo TE DEUM em agradecimento a Deus por todas as nações da América Latina representadas no Rio de Janeiro após a segunda guerra mundial.

O seu último comparecimento como orador foi durante o Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro em 1955, quando falou para uma imensa asembleia de jovens, dando inspirado e ardente destaque àquela que foi sempre a sua primeira devoção, conforme o ensinamento de Dom Bosco, a SS.ma Eucaristia.

Como fruto de sua atividade cultural, deixa um magnífico complexo de obras leterárias de caráter religioso, em prosa e em verso: tres volumes de poesias, tres grande volumes de discursos, dois volumes de Cartas Pastorais, dois grossos volumes de reflexões sobre os evangelhos do ano litúrgico, um livro em latim de meditações para os bispos, e uma biografia de um seu colega de noviciado Pe. Armindo de Oliveira.

A morte o surpeendeu quase improvisa, lançando na consternação não somente a comunidade salesiana, mas a cidade e o Estado inteiro.

O Rev.mo Dom Antônio Barbosa,então Inspetor de São Paulo, assim descreve os últimos momentos: ”No dia 7 de março deste ano Dom Aquino teve que voltar ao hospital em São Paulo, por causa de graves complicações após um intervento cirúrgico. Depois de una efêmera melhora, o enfermo começou a piorar rapidamente por uma acentuada uremia. Alarmados, os superiores do Liceu salesiano acorreram imediatamente ao lado do augusto enfermo. O Cardeal de São Paulo enviou o seu bispo auxiliar para assistí-lo.

Advertido pela irmã enfermeira da gravidade da situação, Dom Aquino disse sereno: ”Sim, dêm-me a extrena unção e o santo viático!”

Depois das costumeira orações de agradecimento, quis que se rezasse o ADORO TE DEVOTE; em seguida acrescentou com grande humildade: ” Saiba morrer quem não soube viver”. O sacerdote que lhe estava ao lado objetou: “Mas vossa ex.cia viveu sempre bem”. “Que os anjos digam AMEN” respondeu ele. Foram as suas últimas palavras aos homens. Como que descansando a cabeça sobre o travesseiro, os olhos vítreos, os lábios continuavam em movimento de oração...E assim rezando faleceu o nosso querido arcebispo”.
No dia seguinte apó a celebração da S.Missa, “ praesente cadavere”, um avião oferecido pelo Governador de São Paulo, conseguido por intermédio de S.Ex.cia o Cardeal de São Paulo, transportou os venerados restos mortais de São Paulo para Cuiabá, piedosamente assistidos por um grupo de salesianos. Toda a cidade afluiu ao longo da ponte do rio Cuiabá, para esperar aquele que justamente era considarado o Pai das almas e da Pátria.

Durante o solene pontifical, presidido por Dom Orlando Chaves, bispo salesiano de Corumbá, com a assistência de outros quatro bispos, o seu auxiliar, Dom Campelo, pronunciou o elogio fúnebre com acentos de profunda comoção. Pela tarde, tendo melhorado o tempo após uma chuva torrencial na parte da manhã, o cortejo fúnebre percorreu as ruas da cidade , com todas as honras reservadas aos Presidentes eméritos do Estado.

O extremo adeus dado ao Pastor da Arquidiocese à entrada da catedral, antes do sepultamento, em nome do Governo, da Assembleia Legilslativa, da Magistratura, da Municipalidade e das várias classes sociais, foi a prova mais eloquente da gratidão de um povo inteiro para com aquele digno e inesquecível prelado da Igreja Católica.

Agora o venerado pastor descansa sob o presbitério da sua catedral, do lado do evangelho, segundo o seu desejo, para que os fiéis que se achegarem para a comunhão se lembrem de rezar por elr: tumba gloriosa, sobre a qual não faltarão flores e orações do bom povo cuiabano, que sempre o considerou um dos seus filhos mais ilustres, uma das suas glórias mais puras.

Também os seus irmãos salesianos não poderão se esquecer de quem deu tanto brilho à Congregação e tão bem viveu o espírito de São João Boco em todos os mais variados encargos que a Divina Providência lhe confiou para o bem da Igreja e da sua Pátria.
Lembremo-nos dele diante do altar e nas nossas comunhões, segundo seu humilde e vivo desejo."

fonte: http://www.missaosalesiana.org.br/falecidos.php?id=291

terça-feira, 1 de abril de 2014

PÁSCOA 2014



O tríduo pascal


A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.


O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.


No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:


Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.


Logo estabelece a duração exata do tríduo: O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.


Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".


É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".


Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados. Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.


Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".


Pensamentos para o tríduo.


A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".


Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).


A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.


O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.


Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.



Fonte: www.acidigital.com

sábado, 7 de dezembro de 2013

A IMACULADA CONCEIÇÃO


Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora
 
O dia dessa solene proclamação foi de incomparável alegria, jamais esquecido, e deve-se recordá-lo sempre para honra e glória da obra-prima da criação, a Mãe Puríssima do Divino Infante.
[...] O Bem-aventurado Papa Pio IX, fundamentado na Sagrada Escritura e no testemunho constante da Tradição (a transmissão oral passada de geração a geração), e por virtude do Magistério infalível, declarou ser de revelação divina que Maria Santíssima foi totalmente isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção, consignado como está na Bula Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854 [...].
Tal declaração revestiu-se de especial esplendor, pois, ao mesmo tempo que representava uma glória para Nossa Senhora e a Santa Igreja, era também um triunfo sobre o liberalismo e o ceticismo que corroíam a Civilização Cristã, que afrontavam o Vigário de Cristo e os direitos da Santa Sé, naqueles meados do século XIX. Período esse conturbado por revoluções anticatólicas em várias partes do mundo, desencadeadas sobretudo pelos propugnadores do racionalismo, do naturalismo e do anarquismo — inimigos da Igreja, fulminados por aquele Pontífice em diversos documentos.
Foi enorme o aplauso entusiástico que reboou entre os católicos da Terra inteira, porque o singular privilégio da Imaculada Conceição(1) — no qual incontáveis santos, teólogos e fiéis em geral sempre creram desde os primórdios do cristianismo, e ao longo de todos os séculos — por fim era definido como verdade de fé.(2)
Confirmação do dogma
Para esse bendito dia o mundo católico já estava preparado. A Santíssima Virgem, Ela própria, fizera tal preparação: em 1830, recomendara a Santa Catarina Labouré a difusão da Medalha Milagrosa, contendo a jaculatória mundialmente conhecida: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.!”(3)
Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, no dia 25 de março de 1858, em Lourdes, Nossa Senhora confirma tal verdade de fé. Quando a pequena vidente Bernadette Soubirous perguntou-Lhe quem era Ela, Nossa Senhora, depois de estender os braços — como se vê na Medalha Milagrosa —,  juntou as mãos à altura do coração e respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição!”
No calamitoso século XX, em Fátima, a Virgem Santíssima recomendou a devoção a seu Coração Imaculado e prometeu: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”. Era esta mais uma magnífica confirmação do dogma proclamado pelo Bem-aventurado Papa Pio IX no século XIX.
O pecado original
“E [Deus] de um só [homem]  fez [descender] todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da Terra” (At 17, 26). Nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram criados “à imagem e semelhança [de Deus]” (Gn 1, 26), no estado de graça e inocência, de justiça e santidade; receberam o dom da imortalidade; viviam perfeitamente felizes no paraíso terrestre, e, na ordem da graça, participavam da própria natureza divina. Mas desobedeceram ao Criador e, obedecendo à serpente infernal, ficaram escravizados ao demônio. Em conseqüência desse pecado, os rebelados foram expulsos do paraíso, perderam os dons sobrenaturais que possuíam; de seres angelicais, tornaram-se carnais; ficaram sujeitos a todas as enfermidades e misérias e à morte. Resultado: todos os seus descendentes ficamos maculados, herdamos os efeitos do pecado original, com o qual todos nascemos.(4)
Deus poderia ter abandonado a humanidade nesse estado pecaminoso, mas, por sua infinita misericórdia, quis salvar os homens. Ele asseverou ao demônio, sob a forma da serpente maldita: “Porei inimizades entre ti [o demônio] e a Mulher [Maria Santíssima], entre a tua descendência [os maus] e a descendência d´Ela [Jesus Cristo e os bons]; Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3, 15).
Obra-prima de Deus
A fim de que se operasse a salvação do gênero humano, tornava-se necessária uma reparação. Como? Por meio da Encarnação do Filho unigênito de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que viria à Terra reparar a malícia infinita do pecado, padecer na Cruz pelos homens e, com seu sacrifício, redimi-los. Este mistério cumpriu-se por obra do Espírito Santo, com a Encarnação do Verbo de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1, 23) — anunciou tal mistério o Profeta Isaías, sete séculos antes de sua realização (Is, 7, 14).
“Quem é esta  que se levanta como a aurora que surge, bela como a lua, resplandecente como o sol, terrível como um exército enfileirado para a batalha?” (Cant 6, 9). Os exegetas interpretam esse texto como sendo o nascimento da Santíssima Virgem, que, como a aurora, anuncia o nascer do sol — o sol de Justiça, o Salvador do gênero humano que se fez homem para nos salvar. Nossa Senhora, obra prima da criação, é a antítese de Eva. O Magistério da Igreja ensina que a má ação de Eva, associada à de Adão — causadora da ruína da humanidade — foi desagravada por Nossa Senhora, a nova Eva, associada a Nosso Senhor Jesus Cristo, o novo Adão.(5)
Isenção de qualquer mácula...
Em sua qualidade de Mãe de Deus, não seria sapiencial que Ela fosse concebida sem mácula alguma? Ao contrário de todos os seres humanos — que, sem exceção, vêm ao mundo com a mancha original —, não seria possível que Ela fosse a única exceção? Sim, é claro, para Deus nada é impossível. Não convinha que a Mãe do Verbo de Deus fosse, ainda que por um instante apenas, maculada pelo pecado original, portanto escravizada ao demônio. Se tivesse contraído a mancha original, Ela ficaria, mesmo sem culpa própria, sob o domínio do demônio.
Mas, se Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra para redimir todos os homens, como ensina o dogma da Redenção Universal, em que situação fica Nossa Senhora? Ela não estaria incluída na Redenção, se foi isenta do pecado antes da vinda do Salvador? Ela não precisaria, portanto, da Redenção? Os teólogos ensinam que o privilégio da Imaculada Conceição foi-Lhe concedido em previsão dos méritos que seriam adquiridos por Nosso Senhor e Ela se beneficiou da Redenção antes que esta se consumasse.
“Potuit, decuit, ergo fecit” (Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, logo o fez). Com este célebre axioma, o beato franciscano João Duns Scoto (1265-1308) concluíra sua exposição, em defesa da Imaculada Conceição, na Universidade de Paris. Foi considerado um brilhante triunfo o fato de ter sintetizado, na sentença acima, as razões do referido privilégio. Deus Todo Poderoso podia criar a Virgem Santíssima isenta de pecado. Ele certamente o queria, pois convinha à altíssima dignidade daquela que viria a ser a Mãe do Divino Salvador, que Ela estivesse livre de qualquer mácula; Ele, portanto, concedeu-lhe tal privilégio. Temos aí o maravilhoso e singular privilégio da Imaculada Conceição.
...na previsão da Redenção
A Santa Igreja ensina que Maria Santíssima foi preservada do pecado original, na previsão dos futuros méritos da Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele a pré-redimiu desde o primeiro instante da sua existência, sendo Ela, devido aos frutos da Redenção, criada em estado de inocência original. Sendo concebida sem pecado original, Ela ficou também preservada de qualquer concupiscência (de qualquer tendência para o mal), que é  decorrência da mancha deixada pelo pecado original, sem no entanto ser culpa pessoal. Não é crível que Deus Pai onipotente, podendo criar um ser em perfeita santidade e na plenitude de inocência, não fizesse uso de seu poder a favor da Mãe de seu Divino Filho.
O Doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), em seu livro Glórias de Maria Santíssima, exemplifica de modo muito vivo tal questão: “Suponhamos que um excelente pintor tivesse que desposar uma noiva, formosa ou feia, conforme os traços que lhe desse. Que diligência não empregaria, então, para torná-la a mais bela possível! Quem poderá, pois, dizer que outro tenha sido o modo de agir do Espírito Santo, relativamente a Maria? Podendo criar uma Esposa toda formosa como Lhe convinha, teria deixado de fazê-lo? Não! Tal como Lhe convinha  A fez, como atesta o próprio Senhor, celebrando os louvores de Maria: ‘És toda formosa, minha amiga, em ti não há mancha original’” (Cânt 4, 7)”.(6).
São Bernardino de Siena, famoso pregador popular do século XV, dá-nos outro exemplo igualmente eloqüente: “Nenhum outro filho pode escolher sua Mãe. Mas se a algum deles fosse dada tal escolha, qual seria aquele que, podendo ter por mãe uma rainha, a quisesse escrava? Ou, podendo tê-la nobre, a quisesse vil? Ou, podendo tê-la amiga, a quisesse inimiga Deus? Ora, o Filho de Deus, e Ele tão somente, pôde escolher para si uma mãe a seu agrado. Por conseguinte, deve-se ter por certo que A escolheu tal qual convinha a um Deus. Mas a um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa. Fê-La, por isso, imaculada”.(7)
Na comemoração dos 150 anos do dogma da Imaculada Conceição, e em agradecimento a Deus pelas prodigiosas graças advindas dessa magnífica declaração pontifícia, prestamos nossa humilde homenagem, mediante a propagação da devoção Àquela que é “cheia de graça” e “bendita entre todas as mulheres”(Lc 1, 28).
Nesse sentido, oferecemos a seguir a nossos leitores alguns trechos extraídos do muito bem documentado livro Pio IX, de autoria do Prof. Roberto de Mattei, formado em História Contemporânea na Universidade La Sapienza, de Roma, e titular da cátedra  de História Moderna na Universidade de Cassino. Essa obra, recentemente publicada em português, narra — entre diversos outros fatos da vida do Bem-aventurado Papa Pio IX — os antecedentes da definição dogmática e o solene ato, culminante do pontificado do “Papa da Imaculada Conceição”.
 
Por fim, apresentamos também aos caros leitores substancioso artigo da lavra do líder católico brasileiro de projeção mundial, Prof. Plinio Corrêa de Oliveira,  redigido para Catolicismo, por ocasião do centenário dessa definição dogmática.
Predileção pelo Brasil
Não poderíamos encerrar esta introdução sem lembrar a honra obtida pelo Brasil, de ter como Padroeira e Rainha Nossa Senhora da Conceição Aparecida (vide Catolicismo, setembro p.p.). Conceição que lembra justamente o privilégio da concepção sem mancha, de que ora tratamos.
Ademais, outra imensa honra para nosso País, obtivemos pouco tempo após o Descobrimento: “Em 1549, chegou ao Brasil o primeiro Governador-Geral, Tomé de Souza, cuja esquadra trazia em sua nau-capitânea a Imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em Salvador, então capital da colônia, foi edificada próxima ao porto a primeira capela. Nesse pequeno templo religioso, passou a ser venerada a Imagem, e por causa de sua localização era a primeira a ser visitada por todos os que chegavam de viagem. A igreja primitiva foi demolida no século XVIII, para dar lugar a outra, bem maior, cujas paredes foram constituídas por pedras artisticamente esculpidas em Portugal e de lá trazidas para Salvador”.(8)
Rogamos a nossa Augusta Padroeira e Rainha, concebida sem pecado original, que, na atual quadra da História do Brasil, açoitado por tantas borrascas, nosso País corresponda a tão maternal predileção. Que Ela conceda, especialmente a todos seus filhos brasileiros, uma admiração enlevada por sua pureza imaculada e um horror a qualquer forma de pecado.
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Notas:

1. “Imaculada Conceição: Significa que, desde o primeiro instante de sua concepção, a Bem-aventurada Virgem Maria possuía a justiça e a santidade ou graça, com as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo, e a integridade da natureza” (Cardeal Gasparri, Catéchisme Catholique, Nazareth, Chabeuil (Drôme), 1959, p. 73).

2. Dogma, ou seja, as verdades nas quais todos católicos devemos crer.

3. Vide Catolicismo, nº 647, novembro/2004, p. 36.

4. Nascemos com o pecado original, que herdamos de Adão e Eva, mas dele somos remidos com o Batismo. O Catecismo citado na nota 1 assim define em que consiste esse sacramento: “É um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo sob a forma de ablução [ato de lavar-se]. Por esse sacramento o batizado torna-se membro do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja; ele obtém a remissão do pecado original e de todos os pecados atuais [quando o batizado é adulto] que tenham sido cometidos, bem como de toda a pena devida; enfim, ele torna-se capaz de receber os outros sacramentos. [...] O Batismo é necessário a todos para serem salvos, pois, segundo a palavra de Jesus Cristo: ‘quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus’ (Jo 3,5)” (Cardeal Gasparri, op. cit., pp. 192 e 196). Além do batismo de água, a Igreja ensina a existência do batismo de sangue (pelo martírio) e o batismo de desejo, aplicado aos pagãos que, não tendo meios de conhecer a Igreja, entretanto praticam a Lei Natural e desejariam receber o batismo se o conhecessem.

5. “Por ter dado crédito à serpente, Eva acarretou maldição e morte ao gênero humano. Maria acreditou nas palavras do Anjo, e obteve que aos homens viesse bênção e vida. Por culpa de Eva, nascemos filhos da ira; por Maria recebemos Jesus Cristo, que nos regenera como filhos da graça” (Catecismo Romano, Ed. Vozes Ltda., Petrópolis, 1962, p. 103).

6. Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria Santíssima, Ed. Vozes Ltda., Petrópolis, 1957, p. 199.

7. Op. cit., p. 194.

8. Catolicismo, nº 327, março/1978, p. 2