segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

HISTÓRIA DA IGREJA


A Arte Cristã

(www.ecclesia.com.br)

xistem várias formas de classificar e estudar as obras de arte. Elas podem ser agrupadas por estilo, por período, por seu país de origem, por um reinado, etc. Também é perfeitamente possível estudar obras de arte que foram inspiradas por uma determinada religião.
Assim, paralelamente aos artigos sobre a construção de igrejas ("A Igreja através dos tempos"), acreditando que um complementa o outro, A RELÍQUIA passa a publicar uma série de matérias sobre a Arte Cristã. E para contestar qualquer argumentação contrária, basta lembrar que os maiores artistas de todos os tempos, independentemente de seus princípios filosóficos, sempre se voltaram (e se voltam), vez por outra, para a criação de uma obra de arte inspirada pelo cristianismo. Seja pela interpretação pictórica dos textos bíblicos, pela representação de cenas do Apocalipse ou pela releitura do Cristo crucificado em diferentes criações.
Como todas as coisas, a Arte Cristã teve um começo e, neste caso, de forma surpreendente. Depois que Cristo deixou sua doutrina, doze trabalhadores da Palestina andaram pelo mundo e o modificaram espiritualmente. Tanto que até hoje milhões de pessoas do mundo inteiro se reúnem em torno das igrejas de suas cidades e vilas. Mas voltemos ao começo: a necessidade de um local para o culto, a primeira igreja, os primeiros símbolos, a ilustração da primeira Bíblia, o primeiro crucifixo, a primeira imagem de santo, a primeira Virgem e o Menino, toda a história cristã é retratada em sua arte.
Como toda criação artística, a arte religiosa sempre esteve sujeita a limitações, principalmente financeira (trabalha-se dentro de um orçamento). Como a Arte Cristã é utilitária, limita-se a criação do artista, pois a chamada arte eclesiástica serve às necessidades da Igreja, tudo dependendo das regras impostas, do tamanho dos templos e de suas formas de edificações. Na pintura, os acontecimentos que determinaram as origens da Igreja e os grandes mistérios da fé foram representados para instrução e edificação dos devotos. As exigências do clero eram rigorosas, sendo a utilização da obra definida no momento da encomenda. Sem contar que existiam formas tradicionais, quase obrigatórias, para representar alguns temas, como por exemplo a "Adoração dos Reis Magos", a "Entrada de Jesus em Jerusalém", "O Batismo de Cristo", "A Santa Ceia", etc. O fato é que pelo respeito e pela natureza sagrada da arte cristã, impediram o surgimento de maiores inovações, o que acabou contribuindo para seu esplendor.
Conforme foi dito no primeiro artigo "A Igreja através dos tempos", o cristianismo nasceu e se desenvolveu num mundo em que a religião, o império e o patriotismo eram muito ligados. Desenvolveu-se no âmago do paganismo imperial, da religião estatal e da expressiva lealdade do imperador. Também a arte era oficial, imperial e pagã, de forma que a arte cristã só poderia começar em pequena escala. As primitivas igrejas eram muito discretas, instaladas em construções simples sem qualquer característica que as identificasse. Em termos de arte, até o século IV, o máximo que os arqueólogos encontraram nessas casas foram pinturas do martírio, talvez apócrifas, de São João e São Paulo.
«Pintura mural do Batistério de Dura-Europos, séc. III. Embaixo as Três Marias no Santo Sepulcro»
Em uma pequena cidade fortificada chamada Dura-Europos, localizada nas margens do Eufrates, uma guarnição romana construiu, no ano de 265, um reforço alto de terra atrás das muralhas atacadas pelo inimigo, para isso derrubando várias casas, mas preservando o que seria uma igreja. Recentemente descoberta, essa casa, que era exatamente iguais às outras, possui uma porta falsa e um pátio quadrado que se liga a uma sala ampliada onde fora construída uma plataforma, provavelmente o altar. Num dos cantos, uma descoberta notável: um batistério com um receptáculo para banho, coberto por um baldaquino e fragmentos de afresco. Nas paredes do batistério, pintadas em estilo simples, cenas de Adão e Eva, Davi e Golias, Cristo andando sobre as águas, O Bom Pastor (foto ao lado) e uma procissão de mulheres levando velas para um sarcófago iluminado. De acordo com o professor Jean Lassus, foi um golpe de sorte entrar numa daquelas igrejas da Mesopotâmia e verificar a decoração em um cenário que naquela época era tão oriental quanto possível. Constatou-se tratar da "arte parda", provavelmente a arte alexandrina da Ásia, sendo reconhecíveis convenções e idéias características da arte bizantina, como o uso da frontalidade, ausência de relevo e a espiritualidade dos rostos. Embora a arte cristã se originasse fora do mundo mediterrâneo, foi por ele influenciada.

«Dafne, Grécia - Segunda metade do séc. XI.
Igreja construída com inspiração bizantina»

Expansão Bizantina

No século IX o Oriente assistiu o renascimento do poder bizantino, principalmente quando Basil se livrou de Miguel III e fundou a dinastia Macedônia, que reinou brilhantemente até a metade do século XI. Bizâncio reconquistou, em 880, as posições perdidas na Itália e Basil II livrou os Bálcãs das influências russas e búlgaras. O poderoso império ressurgiu depois que Nicéforo II expulsou os árabes, ocupando a Cilícia, a Síria, Armênia e Chipre.
«Crucificação de linhas sóbrias em Dafne»
A arte bizantina acompanhou a expansão do império, fazendo com que até as igrejas basilicais de estilo ocidental, na Sicília dominada pelos normandos, fosses decoradas com mosaicos bizantinos. O ponto de partida desta nova expansão era obviamente Constantinopla, onde Hagia Sophia recebeu nova decoração imperial, com os mosaicos cobrindo as paredes com motivos celebrando a coroação de imperadores, com o ícone substituindo o ídolo e de novo o mosaico, agora substituindo a escultura.
Basil II ordenou a construção de uma nova igreja em Constantinopla, chamada "Nea", que depois foi destruída, mas o seu modelo serviu para construir outra igreja, a da Assunção em Nicéia, que depois seria também destruída.
O mosteiro de Dafne, a exemplo de alguns no ocidente e muitos no Oriente, parece um oásis. A cúpula ergue-se sobre paredes brancas e douradas, entre ciprestes e palmeiras, com os mosaicos saudando o visitante com uma luz intensa, apesar de certa frieza clássica. A Crucificação é muito sóbria. A Virgem e São João são tratados isoladamente, este sendo apresentado como uma estátua, o que sugere antecedentes fora da arte cristã, da escultura grega antiga. Todos estes monumentos oferecem uma impressão de dignidade, discrição e nobreza. A influência da arte da corte pode ser sentida até mesmo em mosteiros distantes, a mesma impressão que se tem ao folhear as páginas de um manuscrito imperial bizantino desta época. Na Nea Moni as cenas estão mais próximas dos modelos de Constantinopla. Surpreende as pálpebras vermelhas e sombras verdes no rosto da virgem, que repousa sua face na mão de Cristo, enquanto Ele é retirado da cruz. Como acontece no excelente quadro do Batismo, os traços de Cristo, de São João e do anjo são mas impassíveis.
«Mosaico com o imperador Constantino II e a Imperatriz Zoé - 1030. Hagia Sophia Constantinopla»
Na Grécia, três igrejas são provas do esplendor da expansão bizantina. Todas são igrejas de mosteiros: Hosios Lukas na Fócida (início do século XI), Nea Moni em Chios (1050) e o mosteiro de Dafne na estrada de Atenas a Eleusis. Ainda surpreende descobrir nestas construções alguns toques peculiares à inspiração bizantina deste período. Hosios Lukas - igreja do mosteiro de São Lucas - tem uma cúpula central dominada por um medalhão de Cristo cercado de arcanjos e profetas. Acima de uma virgem sentada na abside existe outra cúpula com os apóstolos sentados em círculo recebendo a iluminação do Espírito Santo. Mos nichos sob a cúpula estão representadas a Anunciação, a Apresentação no Templo e o Batismo no Jordão. No lado oposto à entrada está a Crucificação - Cristo na cruz com a Virgem e São João, a Ressurreição, a Lavagem dos Pés e a Incredulidade de São Tomé.
As pinturas encontradas na igreja de Dura-Europos foram concebidas de forma idêntica às pinturas das catacumbas romanas, o que levou historiadores a afirmarem que a escolha de temas que seriam representados nas paredes já estaria pré-definidos e que a Igreja primitiva tinha acesso aos mesmos modelos que originaram os pisos de mosaicos pagãos executados em todo o Império Romano.
«Orans - Pintura sobre reboco do século III nas Catacumbas Romanas. Representa uma mulher com os braços levantados em súplica e oração num cenário que sugere o paraíso. Sob a pintura, os loculi, ou sepulturas escavadas na rocha»
Um dos dogmas da Igreja era a crença na segunda vinda de Cristo e esse tema da ressurreição do corpo foi também representado nas paredes de Dura-Europos. Se no início os cristãos achavam que o retorno do Messias era iminente, depois anunciaram que a profecia seria cumprida, mas em tempo indefinido. Provavelmente por isso os cristãos eram proibidos de cremar os mortos, prática comum entre os romanos.
Como os cristãos insistiam em sepultar os seus mortos, surgiram problemas relacionados com os cemitérios, tornando-se necessário um espaço maior. Se em muitos lugares foram criados cemitérios em áreas fora dos muros das cidades, ao ar livre, em Roma, particularmente, os católicos adotaram um tipo de cemitério usado anteriormente pelos pagãos e que consistia numa rede de túneis subterrâneos conhecidos como catacumbas. Como era necessário utilizar o mínimo da terra disponível, os túneis eram sempre estreitos. Quando todos os lóculos (loculi) estavam ocupados, a altura e profundidade do túnel eram aumentadas com a finalidade de receber mais corpos. Outros túneis seriam escavados no nível inferior e também em direções diferentes, o que resultou nos impressionantes labirintos em torno de Roma, tão extensos que ainda hoje novos túneis são descobertos.
«A Ressurrreição de Lázaro - Pintura sobre rebôco, séc. III - Catacumba de São Pedro, Roma»
As pinturas encontradas na igreja de Dura-Europos foram concebidas de forma idêntica às pinturas das catacumbas romanas, o que levou historiadores a afirmarem que a escolha de temas que seriam representados nas paredes já estaria pré-definidos e que a Igreja primitiva tinha acesso aos mesmos modelos que originaram os pisos de mosaicos pagãos executados em todo o Império Romano.
Um dos dogmas da Igreja era a crença na segunda vinda de Cristo e esse tema da ressurreição do corpo foi também representado nas paredes de Dura-Europos. Se no início os cristãos achavam que o retorno do Messias era iminente, depois anunciaram que a profecia seria cumprida, mas em tempo indefinido. Provavelmente por isso os cristãos eram proibidos de cremar os mortos, prática comum entre os romanos.
Como os cristãos insistiam em sepultar os seus mortos, surgiram problemas relacionados com os cemitérios, tornando-se necessário um espaço maior. Se em muitos lugares foram criados cemitérios em áreas fora dos muros das cidades, ao ar livre, em Roma, particularmente, os católicos adotaram um tipo de cemitério usado anteriormente pelos pagãos e que consistia numa rede de túneis subterrâneos conhecidos como catacumbas. Como era necessário utilizar o mínimo da terra disponível, os túneis eram sempre estreitos. Quando todos os lóculos (loculi) estavam ocupados, a altura e profundidade do túnel eram aumentadas com a finalidade de receber mais corpos. Outros túneis seriam escavados no nível inferior e também em direções diferentes, o que resultou nos impressionantes labirintos em torno de Roma, tão extensos que ainda hoje novos túneis são descobertos.

As pinturas das catacumbas

«Noé na Arca - séc. III, Catacumba de São Pedro e São Marcellinus, mostrando Noé com postura orans»
Considerar como grandes obras de arte as pinturas que decoravam as paredes das catacumbas, seria um exagero. Elas derivam da arte decorativa que a partir de Pompéia passou a ser usada na maioria das casas romanas. Com muita freqüência os temas das pinturas dos cristãos utilizavam motivos tradicionais como cupido, as estações, animais, cestos cheios de pães, etc. O Bom Pastor, tomado da arte pagã, era representado tocando uma flauta, com um carneiro no ombro ou cercado por seu rebanho. Embora representada por uma figura de mulher rezando com os braços levantados, a orans simboliza a alma de uma pessoa morta. Cenas do Antigo e do Novo Testamento também são encontradas nas paredes das catacumbas, sendo necessário algum conhecimento para identificar Noé emergindo de uma arca, Jonas adormecido sob o cabaceiro ou Daniel na cova dos leões. A multiplicação dos pães é representada por uma cesta cheia de pães e de peixes e se o apreciador não tiver conhecimento do castigo imposto por Nabucodonosor, aos três blasfemadores hebreus, não vai entender a cena dos três jovens lançados na fogueira. Mais tarde aparecem imagens mais elaboradas, como a adoração dos Reis Magos e outras.
Os estilos de todas estas pinturas são fluentes e descontraídos, as cores são alegres e claras. Os movimentos e as atitudes das figuras são de concepção arrojada, mas os rostos são apenas esboçados na maioria das vezes. Estes trabalhos antigos têm mais importância do ponto de vista religioso e histórico do que propriamente artístico, mas por outro lado não seria prudente julgar a arte cristã primitiva apenas pelos exemplos conhecidos. É possível que uma arte mais elaborada tenha florescido nas igrejas primitivas e a arqueologia ainda não tenha dado a última palavra.
A Arte Cristã teve grande impulso depois do Edito de Milão, quando o Imperador Constantino ordenou a construção de muitas igrejas na Europa, África e Ásia. No início da Era Constantino, os construtores submetiam a edificação de um santuário ao monumento que ele comemorava. Ou seja, o resultado das pesquisas arqueológicas autorizadas limitava os arquitetos, e a glorificação das relíquias encontradas impunha ao cliente uma despesa inevitável, pois estas eram encerradas em mármore e cercadas por colunas, balaustradas e lâmpadas.
«Mosaico da Abside da Igreja Santa Pudenziana, final do século IV - Roma. A cena mostra Cristo entronizado entre os apóstolos, acompanhado por personificações das igrejas da Circuncisão e dos Gentios. Ao fundo, o Gólgota com a cruz colocada por Constantino ou Teodósio»
Os gastos despendidos na preparação desses locais tornavam necessário que os edifícios fossem construídos com maior solidez. Mas as formas arquitetônicas cristãs foram estabelecidas numa época em que os outros tipos de edifícios eram construídos com o emprego de elaborados métodos técnicos. Esses métodos foram usados pela primeira vez nas termas ou banhos públicos - uma grande sala, coberta por três abóbadas ogivais, apoiadas em ambos os lados por abóbadas mais baixas, sustentadas por colunas.
Essas construções assemelhavam-se mais a um frigidário (frigidarium) do que aos edifícios de colunas e tetos de madeira que formavam as basílicas do Fórum original ou mesmo aquelas de Trajano. Diante das novas necessidades das igrejas cristãs, os arquitetos, incapazes de explorar essas inovações, voltaram aos métodos tradicionais, adotando estilos menos complexos, talvez por medida de economia. A evolução da construção das igrejas o leitor pode acompanhar lendo a série de artigos intitulada "A Igreja Através dos Tempos", que nesta edição está na página 17.
Na decoração das igrejas cristãs, as tradições dos artistas romanos foram adotadas sem reservas e seus motivos usados sem qualquer preocupação com as interpretações simbólicas que poderiam ter por parte dos pagãos. A decoração das abóbadas de Santa Constanza, por exemplo, é típica sob esse aspecto. Possui complicados padrões geométricos encontrados em pavimentos de mosaicos dessa época ou anteriores. Em Sousse, ou em Cherchel, no Norte de África, existem muitos exemplos dessa combinação de círculos e polígonos com os lados arredondados contendo pássaros, animais, cupido ou meninas dançando. Do mesmo jeito, cenas da colheita das uvas - o carregamento dos carros de bois e camponeses nus esmagando as uvas - são encontradas através de toda a arte pagã. Os arabescos de videira apresentam os conhecidos putti. O motivo pode ter vindo diretamente, sem transição, de seu significado dionisíaco para simbolizar a Eucaristia; motivos semelhantes podem ser vistos nas catacumbas.
Outro exemplo é o grande mosaico da igreja Aquiléia, que data do início do século IV, onde animais estranhos à simbologia cristã estão dispostos em composições geométricas que formam uma moldura em torno de pássaros, peixes, bustos humanos, cenas como o bom pastor e outras de difícil interpretação. Outra parte do piso representa o mar cheio de peixes, características dos mosaicos alexandrinos. Entre cenas de pesca, vê-se Jonas sendo lançado fora de seu barco e engolido pelo monstro marinho. Em outra parte pode ser visto o profeta adormecido sob o cabaceiro. O motivo cristão é mais uma vez tratado da mesmo forma que nas catacumbas.
Uma iconografia cristã parece ter sido desenvolvida nesse mesmo tempo, como se pode constatar em Santa Costanza, nas conchas da capela da abside, onde Cristo é avistado no céu, sentado sobre o globo, ou de pé sobre a rocha da qual nascem os quatro rios do Paraíso, entregando a Lei aos apóstolos Pedro e Paulo. Os monumentos em Jerusalém parecem ter uma grande variedade de temas que apresentam toda uma série nova de cenas, isoladas ou agrupadas. A iconografia é estável, deixando supor a existência de modelos conhecidos, provavelmente as próprias pinturas e mosaicos que decoravam os Lugares Sagrados. Essas cenas incluem a Ressurreição, com as santas mulheres chegando ao sepulcro, recebidas pelo anjo. Existe a Ascensão, a Anunciação, a Crucificação, a Natividade, a Visitação e o Batismo de Cristo.
O mosaico dos fins do século IV na abside de Santa Pudenziana apresenta Cristo entronizado no centro, cercado dos apóstolos e de duas figuras femininas, interpretadas como alegorias. Uma pedra está atrás do trono (a pedra do Calvário), onde uma cruz está cravada, colocada ali por Constantino, ou por Teodósio II. Ao fundo estão os monumentos de Jerusalém - os santuários colocados em torno dos lugares sagrados já mencionados, e que aqui sugerem a Jerusalém celestial. No céu aparecem os símbolos apocalípticos dos evangelistas. Essa obra, relacionada com os trabalhos de Santa Costanza e com cenas representadas nos sarcófagos e catacumbas, revela uma iconografia já estabelecida, na qual a vida terrestre e a vida celestial de Cristo estão inter-relacionadas como significação da união de duas naturezas numa mesma pessoa. A segunda pessoa da Santíssima Trindade teria sua vida terrestre logo descrita, assim como a história dos patriarcas, nas paredes de Santa Maria Maggiore, em Roma. A partir daí, sua soberania era reconhecida e representada em cenas nas quais o Salvador está entronizado em meio aos apóstolos como um imperador em sua corte. E a Cruz do martírio tornou-se através dos tempos o símbolo do seu triunfo.

Mosaicos de Ravena

Para um melhor entendimento da Arte Cristã nos séculos V e VI, nada melhor do que conhecer Ravena. Nesta cidade, localizada à beira do Adriático, foi que o Imperador Honório se estabeleceu no século V e onde sua irmã Galla Placídia governou para o filho Valentiniano III, dando à cidade o aspecto de capital. Ali também governou o Rei da Itália, Teodorico, e Belisário fez de Ravena a capital do exarcado representante do Estado bizantino no Ocidente.
«A procissão dos Mártires, mosaico do sécs. V e VI em S. Apollinare Nuovo, Ravena. Vista da decoração da parede sul. Sobre os arcos está um friso em mosaicos com a procissão dos mártires, levando ao Cristo entronizado. Em cima, entre as janelas do clerestório, figuras de santos representados como estátuas em nichos; sobre cada janela há um mosaico do ciclo narrativo das cenas da Paixão»
O desenvolvimento da arquitetura e da arte dos mosaicos em Ravena mostra uma fusão de estilos italianos e orientais, sendo um dos exemplos mais bem sucedidos da Arte Cristã. Os mosaicos seriam a decoração das igrejas orientais durante dez séculos consecutivos. Em Ravena, os artífices tiveram que resolver todos os seus problemas - técnicos, decorativos, figurativos e iconográficos -, de uma arte que teve suas origens na Grécia, ficando depois bastante popular em todo o Império Romano.
Inicialmente os mosaicos eram feitos como piso, na Síria e na África e depois encontrados na Sicília, onde se acredita o Imperador Maximiano se exilou. Em Pompéia escavações revelaram que os mosaicos eram usados apenas na decoração de fontes. De alguma forma eles também são usados em monumentos funerários e também, de forma monumental, aparecem nas abóbadas de Santa Constanza. Se durante esse período os mosaicistas tinham limitações ao decorar o piso, por razões de durabilidade, quando os mosaicos murais passaram a ser usados em Ravena, essa limitação acabou, aumentando consideravelmente o uso de cubos de vidro. Os fundos de pedra calcária ou mármore foram substituídos primeiro pelos azuis, depois pelos dourados, proporcionando às composições um brilho esplêndido, e a mesma luminosidade dos interiores das igrejas bizantinas. O efeito azul do mausoléu de Galla Plácidia, enriquecido pelo brilho dourado, revela uma nova sensibilidade e sentimento de cor.
Os artistas passaram a contar com grandes superfícies a serem decoradas no interior das igrejas. Havia não só paredes inteiras a decorar, mas também paredes interrompidas por janelas e arcadas cegas, tímpanos semicirculares e absides hemisférica, cúpulas e abóbadas. O trabalho realizado no octógono de S. Vitale, monumento plenamente bizantino, alcança a culminância do estilo. Continua intacta, no seu presbitério, toda a decoração de mosaicos.
Muitos dos motivos utilizados na decoração já existiam nas catacumbas cristãs, na arte monumental romana e mesmo em épocas anteriores. Desde os assírios o motivo da procissão tinha sido adaptado pelos artistas numa composição retangular onde as figuras da mesma altura seguiam umas às outras. O tema da procissão militar foi seguido pelo da procissão triunfal em direção a um deus ou um rei sentado ao trono, às vezes cercado de dignitários. Este tema tradicional foi magnificamente utilizado em S. Apollinare Nuovo: partindo das cidades de Ravena e Classe, os mártires saem do pórtico em direção à abside para oferecer suas coroas a Cristo e à Virgem. Na mesma S. Apollinare quadros históricos foram colocados em painéis sobre o clerestório, da mesma forma que em Santa Maria Maggiore, meio século antes. Os apóstolos e profetas entre as janelas, com magníficas conchas vermelhas e douradas sobre as cabeças, são lembranças da disposição clássica das estátuas em nichos. O tipo de arranjo parece ser uma tentativa de reproduzir uma decoração em relevo em duas dimensões. Em S. Vitale e em S. Apollinari in Classe consiste a decoração em uma cena triunfal desenrolada no céu - o triunfo de Cristo ou de um santo numa cena simbólica ou figurativa do Paraíso. Essa representação, com vista frontal da figura principal e as figuras de apoio em simetria, apresenta uma visão global, até a extremidade da igreja, de uma imagem de devoção com notável efeito dramático. Este tipo de representação é encontrado através de toda arte bizantina, sempre se mantendo a frontalidade e a simetria.
A existência de um teto independente na composição da basílica obrigava que a decoração fosse fragmentada. Mas a construção das abóbadas fez com que os mosaicos ganhassem mais espaço, resultando em uma unidade decorativa. As figuras tratadas individualmente ficaram desapercebidas, como certas figuras integradas numa folhagem dourada da igreja de Galla Placídia, por exemplo.
«A Imperatriz Teodora e sua comitiva (546/548)- Mosaico do presbitério de S. Vitale - Ravena»
Na igreja de S. Vitale as paredes laterais dos presbitérios são decoradas com um fundo de pedras estilizadas, com desenhos de folhagem, flores e animais. Sobre esse fundo estão colocadas figuras de profetas, tão integrados nesta decoração difusa que pouco são notados. Mas na abóbada, os anjos segurando a grinalda que circunda o Cordeiro de Deus tornam-se os elementos focais da decoração de folhagem que os circunda. Acentuada pelas cores que a cobrem, a arquitetura parece ter sido reinterpretada.
O período coberto pelo pelos monumentos de Ravena é muito instrutivo no desenvolvimento da representação da figura humana. Comparando os dois grupos de apóstolos ou os dois medalhões representando o Batismo de Cristo, de épocas diferentes, nos batistério dos arianos e dos ortodoxos, e comparando os profetas entre as janelas com a procissão de mártires em S. Apollinare Nuovo, nota-se a mesma mudança profunda.
Desde o século V a estilização das vestes vinha sendo acentuada, mas os rostos eram ainda tratados como se fossem retratos pintados.
No século VI surge um novo estilo, mais bem adaptado à decoração monumental, e que precedia de um espírito novo. Nas vestes, por exemplo, não há nenhuma tentativa de modelar os sombrear as cores; elas são simplesmente indicadas por um jogo de linhas destinado a sugerir tanto o movimento do material quanto os dos corpos que cobrem. Esse uso de contrastes de motivos escuros sobre um fundo claro é um efeito de cor. Isso é visto mais claramente quando a toga é substituída pelas clâmides e os tecidos brancos pelos debruns coloridos e brocados. É isso que cria o contraste entre as duas procissões de S. Apollinare Nuovo nas quais as magnificentes vestes da corte de santos são apresentadas como superfície vermelha, ao passo que as figuras dos mártires mantêm um certo relevo, apesar da simplicidade com a qual as dobras de suas togas brancas são desenhadas. Nos famosos quadros que representam Justiniano e Teodora em S. Vitale, surpreende o brilho incomparável da superfície colorida na qual o esplendor das vestimentas e a riqueza dos costumes da corte mesclam-se a uma espécie de maravilhosa tapeçaria.
Observados atentamente, esses quadros não são estáticos, apesar dos movimentos quase desaparecerem na rigidez das vestes e na frontalidade das figuras. Estranha ao Ocidente Romano, esta tradição artística originou-se no Oriente helenizado, onde as tradições levadas por Alexandre até as fronteiras da Índia, desenvolveram-se segundo regras próprias e resultaram em formas artísticas bem diferentes de suas fontes européias. Michael Rostovtzeff chamou estas formas de arte parta, que exerceu influência decisiva sobre a pintura bizantina. A frontalidade geralmente cria uma simetria total nas figuras. Mas também há ocasiões em que as figuras deixam de ser fixadas numa posição frontal por causa da simetria, seja nas procissões ou em uma das cenas mais ativas. Encontram-se alguns rostos completamente de perfil. Com o triunfo destas tendências, penetramos numa nova estética, na qual o realismo e o respeito por volumes e formas cedem lugar à cor e à visão. É um mundo bidimensional que se presta à expressão e ao simbolismo.
«A Transfiguração, (540), mosaico da Abside da Igreja de Santa Catarina»
Dentro destas edificações monumentais e seguindo esta nova estética, os mosaicistas de Ravena trataram os assuntos cristãos que lhe foram encomendados. Curioso é que em Ravena a história religiosa - o Antigo e o Novo Testamento - parece ter sido relegado a um segundo plano, muito embora se encontre sua expressão essencial em S. Apollinare Nuovo. Existem representações dos milagres de Cristo, a traição de Judas, a Ressurreição, etc. Mesmo quando ilustram algum outro episódio bíblico, as pinturas com personagens nos outros edifícios de Ravena parecem ter um valor simbólico. Os profetas e mártires, Reis Magos e anjos que nos transportam para além de nosso mundo estão na cidade celestial. Esta evocação de um mundo melhor, envolto pelo azul do céu e o dourado do sol, é encontrada em todas as obras - e confere à decoração seu valor real. Profetas, santos, apóstolos, mártires, estão em todas as partes proclamando e aclamando a divindade de Cristo e a verdade de sua promessa. Em seus símbolos, como em suas cores, a decoração das igrejas de Ravena revive a esperança de salvação.

Iconografia: «O Iluminismo»

A primeira parte da Bíblia Cristã é o Antigo Testamento, que conta a história do povo judeu. A segunda parte, o Novo Testamento, é basicamente a biografia de Jesus. Em ambos os livros, embora certos capítulos tenham caráter litúrgico, profético ou lírico, o caráter dominante é o narrativo.
Por ser também e principalmente uma religião do livro, e por razões pedagógicas, ou grande necessidade de retratar caracteres e acontecimentos religiosos, muito cedo os cristãos se voltaram para a ilustração de livros. Exemplos dessa antiga arte miniaturista são encontrados em muitos livros de evangelhos. Os antigos exemplares que foram preservados geralmente são do século X e XI, mas existem alguns mais antigos, como os manuscritos púrpura do Gêneses de Viena e os Evangelhos de Rossano, que remontam ao século IV.
«A Ascensão - ilustração em miniatura de evangelhos do século XV»
Através de gerações as iluminuras, a exemplo dos textos, foram copiados e recopiados, não por falta de imaginação, mas para manter o caráter sagrado e inviolável do livro que as figuras ilustravam e que constituem uma iconografia. A exemplo de pintores de afrescos e mosaicistas, os primeiros miniaturistas, para glorificar os principais acontecimentos da história cristã, também faziam representações de determinados episódios.
Os Octateucos e Evangelhos eram amplamente ilustrados, cada parágrafo tinha seu comentário pictórico, assemelhando-se muito às histórias de quadrinhos atuais. É até possível seguir a narrativa acompanhando os desenhos. A origem desta prática é confusa. Sabe-se que no século IV os gregos e romanos usavam desenhos em miniaturas em dois tipos de livros, havendo ainda os "volumina", longos rolos de papiro que aparecem nas mãos de muitas estátuas de cidadãos romanos. Neste caso as ilustrações eram limitadas à largura da coluna. No Rolo de Josué, em pergaminho, as imagens seguem-se umas às outras sem interrupção em longas tiras, como a decoração da coluna de Trajano.
Do século IV em diante, os manuscritos passaram a tomar forma de livros de pergaminho (códices), com as ilustrações ainda colocadas em colunas, algumas se expandindo por toda a página. Com isso as miniaturas tornaram-se verdadeiros quadros. O mesmo esquema era usado na representação de cenas, de um manuscrito para outro. Nos evangelhos, que eram ilustrados cada vez que se fazia uma copia, a semelhança é indiscutível. A obediência a esse modelo não impediu que os pintores usassem as suas habilidades e fizessem encantadoras variações que revelassem o naturalismo, o gosto pelo exótico, e o estilo cheio de vida de diferentes miniaturistas.

FONTE:
Texto de Jean Lassus, professor da Universidade de Sorbonne e do Instituto de Arte e Arqueologia - Paris; Ed. José Olympio e Exped; East Christian Art de O. Dalton e Early Christian Art, de W.F. e Hirmer. Extraído de: A RELÍQUIA - Informativo dos Antiquários, Leiloeiros e Colecionadores" - Rio de Janeiro / São Paulo. Web Site: http://www.areliquia.com.br

DIA 03 DE FEVEREIRO
MEMÓRIA DE SÃO BRÁS, BISPO E MÁRTIR


História
São Brás nasceu na Armênia, foi médico e depois bispo de Sebaste, onde sofreu o martírio por não sacrificar aos deuses pagãos.

É invocado especialmente contra as doenças da garganta, porque certa vez salvou, conforme narram as Atas de sua vida, um menino que estava para morrer por ter engolido uma espinha de peixe. 

São Brás é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao longo de séculos e, até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho se engasga ou apresenta problemas de garganta.

A bênção de São Brás é procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, e é ministrada em muitas igrejas do mundo cristão.

É considerado protetor da garganta porque consta que uma mãe aflita jogou-se aos seus pés pedindo que socorresse o filho, que agonizava engasgado com uma espinha de peixe atravessada. O santo rezou, fez o sinal da cruz sobre o menino e este se levantou milagrosa e imediatamente como se nada lhe tivesse acontecido.

Naqueles anos de grandes perseguições aos cristãos, muitos eram torturados e mortos na mão dos poderosos pagãos. Brás abandonou o bispado e se protegeu na caverna de uma montanha isolada e mesmo assim, depois de descoberto e capturado, morreu em testemunho de sua fé sob as ordens do imperador Licínio, em 316.

Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, a fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante. O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia, primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte.

O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Nessa ocasião uma repentina tempestade interrompe a viagem na altura da cidade de Maratea, em Potenza; e alí os fieis acolhem as relíquias do santo numa pequena igreja, que depois se tornaria sua atual basílica e a localidade receberia o nome de Monte São Brás.

Em 1983, no local da igrejinha inicial foi erguida uma estátua de São Brás, com a altura de vinte e um metros

FONTE: http://www.paroquiasaobras.com.br/index.php/historia-de-sao-bras


Oração de São Brás
(Esta oração pode ser rezada pelos fiéis)

Ó glorioso São Brás, que restituístes com uma breve oração a perfeita saúde a um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, estava prestes a expiar, obtende para nós todos a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta. Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. São Brás, rogai por nós. Amém.
Benção de São Brás
(Esta oração de benção é rezada unicamente pelo Sacerdote no dia de São Brás, ou em qualquer outro dia quando solicitada pelos fiéis)








Sacerdote: Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Fonte: Franciscanos.org

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ATO DE CONSAGRAÇÃO AOS CORAÇÕES DE JESUS E MARIA




 Consagração aos Corações de Jesus e de Maria

Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria,
a Vós me consagro,
assim como toda minha família.
Consagramos a Vós nosso próprio ser,
toda nossa vida, tudo o que somos,
tudo o que temos, e tudo o que amamos.

A Vós damos nossos corações e nossas almas,
a Vós dedicamos nosso lar e nosso país,
conscientes de que,
através desta Consagração nós, agora,
prometemo-Vos viver cristãmente
praticando as virtudes da nossa religião,
sem nos envergonharmos de testemunhar a fé.

Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria,
aceitai esta humilde oferta de entrega de cada um de nós,
através deste acto de Consagração.
Nossa esperança é colocada em vós,
com a certeza de que jamais seremos confundidos.
Sacratíssimo Coração de Jesus, tende misericórdia de nós.

JUNHO: MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS






HISTORIA DA DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Os Santos Padres muitas vezes falaram do Coração de Cristo como símbolo de seu amor, tomando-o da Escritura: "Beberemos da água que brotaria de seu Coração....quando saiu sangue e água" (Jo 7,37; 19,35). 

Na Idade Média começaram a considera-lo como modelo de nosso amor, paciente por nossos pecados, a quem devemos reparar entregando-lhe nosso coração (santas Lutgarda, Matilde, Gertrudes a Grande,Margarita de Cortona, Angela de Foligno, São Boaventura, etc.).

No século XVII estava muito expandida esta devoção. São João Eudes, já em 1670, introduziu a primeira festa pública do Sagrado Coração. Em 1673, Santa Margarida Maria de Alocoque começou a ter uma série de revelações que a levaram à santidade e ao impulso de formar uma equipe de apóstolos desta devoção.

Com seu zelo conseguiram um enorme impacto na Igreja. Foram divulgados inúmeros livros e imagens. 

As associações do Sagrado Coração subiram em um século, desde meados do XVIII, de 1000 a 100.000. umas vinte congregações religiosas e vários institutos seculares foram fundados para estender seu culto de mil formas.

O apostolado da Oração, que pretende conseguir nossa santificação pessoal e a salvação do mundo mediante esta devoção, contava já em 1917 com 20 milhões de associados. E em 1960 chegava ao dobro em todo o mundo, passando de um milhão na Espanha; suas 200 revistas tinham 15 milhões de inscrições. A maior instituição de todo o mundo.

A Oposição a este culto sempre foi grande, sobretudo no século XVIII por parte dos jansenistas, e recebeu um forte golpe com a supressão da Companhia de Jesus (1773). Na Espanha foram proibidos os livros sobre o Sagrado Coração. O imperador da Áustria deu ordem que desaparecessem suas imagens de todas as Igrejas e capelas. Nos seminários era ensinado: "a festa do Sagrado Coração provocou um grave mancha sobre a religião". A Europa oficial rejeitou o Coração de Cristo e em seguida foi assolada pelos horrores da Revolução francesa e das guerras napoleônicas. Mas depois da purificação, ressurgiu de novo com mais força que nunca.

Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja.

Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus (o Equador tinha se consagrado em 1874). E a Espanha em 1919, em 30 de maio, também se consagrou publicamente ao Sagrado Coração no Monte dos Anjos. Onde foi gravado, sob a estátua de Cristo, aquela promessa que fez ao pai Bernardo de Hoyos, S. J., em 14 de maio de 1733, mostrando-lhe seu Coração, em Valladolid (Santuário da Grande Promessa), e dizendo-lhe: "Reinarei na Espanha com mais Veneração que em muitas outras partes" (Até então a América também era Espanha 

(FONTE: http://www.acidigital.com/fiestas/sagrado/historia.htm)





APARIÇÕES DE NOSSO SENHOR À SANTA MARGARIDA MARIA DE ALOCOQUE

1ª Promessa:“Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”.

2ª Promessa:“Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias ”.
3ª Promessa:“Eu os consolarei em todas as suas aflições”.
4ª Promessa:“Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.
5ª Promessa:“Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.
6ª Promessa:“Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.
7ª Promessa:“As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.
8ª Promessa:“As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição”.
9ª Promessa:“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.
10ª Promessa:“Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”.
11ª Promessa:“As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa:“A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”






ATO DE CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Me entrego e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, minha pessoa e vida, ações, dores e sofrimentos para que utilize meu corpo somente para honrar, amar e glorificar ao Sagrado Coração. Este é meu propósito definitivo, único, ser todo d'Ele, e fazer tudo por amor a Ele, e ao mesmo tempo renunciar com todo meu coração qualquer coisa que não lhe compraz, além de tomar-te, Ó Sagrado Coração, para que sejas ele o único objeto de meu amor, o guardião de minha vida, meu seguro de salvação, o remédio para minhas fraquezas e inconstância, a solução aos erros de minha vida e meu refúgio seguro à hora da morte. Seja, Ó Coração de Bondade, meu intercessor ante Deus Pai, e livra-me de sua sabia ira. Ó Coração de amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua Divindade e Bondade. Tira de mim tudo o que está mal e tudo o que provoque que não faça tua santa vontade, permite a teu amor puro a que se imprima no mais profundo de meu coração, para que eu não me esqueça nem me separe de ti. Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de Ter meu nome escrito em Teu coração, para depositar em ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em tua bondade. Amém




ATO DE OFERECIMENTO DE SI MESMO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Meu dulcíssimo Jesus, que em vossa infinita e dulcíssima misericórdia prometestes a graça da perseverança final aos que comungarem em honra de vosso Sagrado Coração as nove primeiras sextas feiras do mês seguidos: recordai a vossa promessa, e a mim, indigno servo vosso, que acabo de receber-vos sacramentado com este fim e intenção, concede-me que morra detestando todos os meus pecados, esperando em vossa inefável misericórdia e amando a bondade de vosso amantíssimo Coração. Amém.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico em todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós




A DEVOÇÃO DAS NOVE PRIMEIRAS SEXTAS-FEIRAS E A COMUNHÃO REPARADORA

Entre as práticas que compreende esta devoção, conformes com o fim da mesma, sobressai a da Comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, para conseguir além da graça da penitência final, segundo a promessa feita pelo próprio Sagrado Coração a Santa Margarida Maria, para todos os fiéis.

Eis aqui a promessa:
Uma Sexta feira, durante a Sagrada Comunhão, disse estas palavras a sua devota serva:

"Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor todopoderoso concederá a todos os que comungarem nove primeiras sextas feiras do mês seguidos a graça final da penitência; não morrerão em pecado nem sem receber os sacramentos, e meu divino Coração lhe será asilo seguro naquele último momento".



O que é necessário fazer para obter esta graça:
Comungar nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos em graça de Deus, com intenção de honrar ao Sagrado Coração de Jesus.

Como pode ser feita:
Pela manhã pode ter a Comunhão geral em boa hora, e à tarde uma função mais ou menos breve e solene ao Coração de Jesus expondo ao Santíssimo, explicando ou lendo a intenção do mês, o algo sobre ela, rezando as ladainhas ou algum ato de desagravo ou de consagração. Caso de se poder fazer isto à tarde, pode ser feito tudo pela manhã na Missa de Comunhão ou na Missa vespertina se houver. Quando não há função ou culto público ou não se pode assistir a ele, faça-o em particular o que se faz por outros em público. Para o qual se pode rezar a oração que segue adiante, e além disso as ladainhas do Coração de Jesus ou alguma consagração ao Coração de Jesus




Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Senhor, tende piedade de nós. 
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós. 

Jesus Cristo, ouvi-nos. 
Jesus Cristo, atendei-nos. 

Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós. 
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, majestade infinita, tende piedade de nós. 
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós. 
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, desejado desde toda a eternidade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, rico para todos que vos invocam, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, propiciação por nossos pecados, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós 
Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

Jesus, manso e humilde de coração. Fazei nosso coração semelhante ao vosso.

Oremos: 

Deus Omnipotente e Eterno, olhai o Coração do vosso dilectíssimo Filho e os louvores e reparações que pelos pecadores vos tem tributado; e aos que invocam vossa misericórdia, vós, aplacado, sede fácil no perdão, pelo mesmo Jesus Cristo que Convosco vive e reina para sempre, na unidade do Espírito Santo. Amen.

(FONTE: http://www.paroquias.org/oracoes/?o=19)

sábado, 5 de abril de 2014

HOMENAGEM


DOM FRANCISCO DE AQUINO CORRÊA
ARCEBISPO DA ARQUIDIOCESE DE CUIABÁ
PRESIDENTE DO ESTADO DE MATO GROSSO
MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
FUNDADOR DA ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS

(NASCIDO EM CUIABÁ-MT EM 02 DE ABRIL DE 19885 E FALECIDO EM SÃO PAULO-SP EM 22 DE MARÇO DE 1956)

Neste mês de Abril de 2014 celebramos os 129 anos do nascimento do Grande Arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá Dom Francisco de Aquino Corrêa. Nesta postagem FAZEMOS memória desse grande homem de Deus, da Igreja, de Mato Grosso e de toda a nossa amada Pátria, para tal, apresentamos a excelente biografia de Dom Francisco de Aquino Corrêa realizada pelo Reitor-Mor Rev. Padre Renato Ziggiotti, sdb, por ocasião da "carta mortuária" de Dom Aquino Correa no dia 22 de março de 1956  postada no site da Congregação Salesiana:

"Francisco de Aquino Correa, último de quatro irmãos, nasceu em Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso, no dia 2 de abril de 1885 do comendador Antônio Tomás de Aquino e de Maria de Aleluia Gaudie Ley.Tendo ficado órfão de mãe aos três anos, cresceu em um ambiente familiar profundamente religioso, educado sabiamente pelo pai e pela irmã mais velha Eulália, que mais tarde se tornou Filha de Maria Auxiliadora, juntamente com outra irmã ainda viva. O bom pai, modelo de piedade eucarística e de amor ao papa, lia atentamente as encíclicas, decorando trechos das mesmas, que depois defendia diante de todos com grande entusismo. Foi um dos primeiros amigos e sustentadores da Obra Salesiana em Cuiabá, e não é de estranhar que o Senhor lhe desse a honra de dar um tal filho à Sociedade salesiana e um tão grande e santo arcebispo à Igreja. Dom Aquino dele sempre se lembrava com muito carinho, mostrando comovido aos mais íntimos o anel, símples mas a ele tão querido, que levava ao dedo, presente do pai na sua consagração episcopal.

Fez os estudos primários e secundários em sua cidade natal, e apresentou-se em 1904 como primeiro candidato aos exames de madureza no Liceu Salesiano recentemente equiparado, obtendo um brilhante resultado. Em 1902 já tinha entrado no noviciado salesiano em Coxipó da Ponte onde, em 19 de março de 1903, tinha recebido o hábito clerical e iniciado o curso filosófico.Depois do exâme de madureza os superiores o enviaram para a Itália; em primeiro de outubro de 1904 emitiu os votos trienais em Foglizzo Canavese, e tres anos depois em Genzano de Roma os votos perpétuos.Contemporaneamente tinha-se inscrito na Academia Romana de S.Tomás de Aquino e na Pontifícia Universidade Gregoriana, que frequentou simultaneamente, laureando-se em filosofia e teologia. “Desde aquele tempo - escreve o Rev.mo Pe.Hermenegildo Carrá, seu companheiro de estudos e depois por 12 anos missionário em Mato Grosso - iluminava-lhe o coração o ideal de D.Bosco: “da mihi animas! “ E nós o vimos consagrar-se, corpo e alma, ao bem dos jovens do Oratório Festivo do Sagrado Coração. Lembro da sua alegria, quando um dos seus meninos ganhou o prêmio do certame catequístico entre todas as paróquias de Roma, e a sua felicidade em levar os meninos da primeira comunhão para a audiência especial concedida pelo Papa, então Pio X. Um ano depois, os superiores o escolheram como assistente do Círculo Sagrado Coração, um grupo de jovens animados que combatiam aquelas que podem ser classificadas como as primeiras batalhas da Juventude Católica Romana.”

Na capital do orbe católico recebeu todas as órdens sacras, e em 17 de janeiro coroou os seus estudos e a sua formação eclesiástica com a ordenação sacerdotal.

Retornado a Cuiabá, foi por um ano conselheiro escolar naquele colégio do qual em 1912 foi eleito diretor. Mas, somente dois anos depois, o papa Pio X o preconizava bispo titular de Prusíade, e o nomeava bispo auxiliar do venerando arcebispo de Cuiabá, Dom Carlos Luis de Amour. Consagrado na mesma cidade no dia primeiro de janeiro de 1915, com 29 anos de idade, foi ele o mais jovem bispo do mundo.

Esta sua rápida ascenção à dignidade eclesiástica foi para ele ocasião, não já de orgulho, 
mas de dolorida saudade da amada Congregação salesiana, da qual teve que afastar-se tão cedo. Dom Aquino às vezes dizia:”Eu nada posso pretender da Congregação, porque nada fiz por ela. Mas não foi por minha culpa, porque dela me separaram nomeando-me bispo.”

Com a sagração episcopal abriu-se para o novel prelado um caminho impensado de apostolado e de paz entre as opostas facções do mundo político. O Estado de Mato Grosso, naqueles anos, atravessava uma profunda crise de Governo. O Governador do Estado tinha perdido todo ascendente sobre os vários partidos, todos passados para a oposição, de forma que a sua autoridade era inoperante e o Estado se encontrava numa situação caótica; nem sequer esperava-se saná-lo com novas eleições, dada a irredutibilidade das partes opostas.

Foi o mesmo Presidente Federal do Brasil que sugeriu, por meio de um seu enviado especial, a candidatura do jovem Bispo, culto e prudente, como tentativa de reconciliação dos obstinados adversários políticos. Dom Aquino,por amor pátrio, tendo obtido a devida autorização da Santa Sé, aceitou a onerosa experiência. As eleições, realizadas no dia 1º de novembro de 1917, elevaram-no com sufrágio quase unânime à mais alta magistratura do Etado, i.é à cadeira presidencial com o título de Governador. Durante o quadriênio do seu governo alcançou-se a paz no Estado, que pôde ser reorganizado em sua admistraçaõ e levado a um verdadeiro progresso econômico e moral. Ao findar seu mandato presidencial ele viu continur aquela política de união entre as correntes opostas por ele tão bem iniciada,e,tendo falecido o arcebispo de Cuiabá, a Santa Sé o destinava-o a suceder-lhe naquela vastíssima e paupérrima Diocese.

O jovem arcebispo não desanimou diante das dificuldades. Pressionado pelas dificuldades financeiras, vendeu a bela cruz peitoral herdada do seu predecessor, e um precioso anel com uma belíssima esmeralda doado-lhe durante a sua presidência, nem esitou estender o seu ministério pastoral para outas diocese, onde a sua fulgurante palavra era esperada e procurada, para pode suprir às despesas do culto e do seminário, e nem siquer envergonhou-se de mendigar, mais para os outros que para si.

O seu apartamento episcopal se reduziu, em todos os 41 anos de episcopado, a tres pobres quartos do velho Seminário. Construiu uma nova residência episcopal, mas nela não morou.
Do seu apostolado, que bem podemos chamar de missionário, dá-nos um exaustivo e autorizado testemunho o nosso caríssimo Dom Camilo Faresin, que viveu por nove anos em Cuiabá, diretor do Colégio salesiano; cedo a ele a palavra.

“Quando Dom Aquino recebeu a arquidiocese, a sua jurisdição estendia-se sobre uma zona imensa, paupérrima, com difíceis comunicaçãoes e insalubre. Embora de constituição delicada, todavia visitava regularmente todo o imenso território , de tres em tres anos, submetendo-se à vida de um pobre missionário, pregando todas as noites durante a visita e sentando no confessionário por muitas horas.Na sede reservava para si as pregações da quaresma e os retiros espirituais pascais para as várias categorias de pessoas. Certa vez cheguei a impor-lhe que deixasse a pregação, embora ele quisesse subir ao púlpeto ambora com afebre. A sua pregação era substanciosa e maravilhosa na forma, sabendo-se adaptar aos vários ambientes com uma facilidade que surpreendia.As suas cartas pastorais, pois são verdadeiras obras primas de catequese que, impressas, não deixarão de produzir granfes frutos.Algumas já tiveram várias edições, e todas foram recolhidas em tres volumes. Tinha formado um grupo de catequistas, que ele mesmo seguia e, por muitos anos, aos domingos lhes impartia sábias normas de pedagogia e didática catequética.

Dom Aquino fez uso de seus dotes naturais assim como do seu prestígio adquirido no Brasil, unicamente com finalidade apostólica.Fez muitas conferências religiosas na Escola Militar, reduto inexpugnável do positivismo reinante na cultura do tempo, e quando pronunciou o seu discurso oficial na Academia Brasileira de Letras diante de um erudito auditório, concluiu com um hino de amor à Virgem Maria, tão cordial e vibrante, que impressionou salutarmente os que o ouviram.. Uma inteligência tão brilhante cativou muitas simpatias mesmo no campo adversário.

Durante muitos anos, a sua foi a voz oficial da Igrja e do Estado em soleníssimas ocasiões religiosas e cívicas. Fez o discurso de bertura do Congresso Eucarístico Nacional do Rio de Janeiro em 1922 e de Porto Alegre em 1948; no Concílio Plenário Brasileiro proferiu o elogio fúnebre de todos os bispos do Brasil; e foi ele tambem que fez o discurso oficial para o soleníssimo TE DEUM em agradecimento a Deus por todas as nações da América Latina representadas no Rio de Janeiro após a segunda guerra mundial.

O seu último comparecimento como orador foi durante o Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro em 1955, quando falou para uma imensa asembleia de jovens, dando inspirado e ardente destaque àquela que foi sempre a sua primeira devoção, conforme o ensinamento de Dom Bosco, a SS.ma Eucaristia.

Como fruto de sua atividade cultural, deixa um magnífico complexo de obras leterárias de caráter religioso, em prosa e em verso: tres volumes de poesias, tres grande volumes de discursos, dois volumes de Cartas Pastorais, dois grossos volumes de reflexões sobre os evangelhos do ano litúrgico, um livro em latim de meditações para os bispos, e uma biografia de um seu colega de noviciado Pe. Armindo de Oliveira.

A morte o surpeendeu quase improvisa, lançando na consternação não somente a comunidade salesiana, mas a cidade e o Estado inteiro.

O Rev.mo Dom Antônio Barbosa,então Inspetor de São Paulo, assim descreve os últimos momentos: ”No dia 7 de março deste ano Dom Aquino teve que voltar ao hospital em São Paulo, por causa de graves complicações após um intervento cirúrgico. Depois de una efêmera melhora, o enfermo começou a piorar rapidamente por uma acentuada uremia. Alarmados, os superiores do Liceu salesiano acorreram imediatamente ao lado do augusto enfermo. O Cardeal de São Paulo enviou o seu bispo auxiliar para assistí-lo.

Advertido pela irmã enfermeira da gravidade da situação, Dom Aquino disse sereno: ”Sim, dêm-me a extrena unção e o santo viático!”

Depois das costumeira orações de agradecimento, quis que se rezasse o ADORO TE DEVOTE; em seguida acrescentou com grande humildade: ” Saiba morrer quem não soube viver”. O sacerdote que lhe estava ao lado objetou: “Mas vossa ex.cia viveu sempre bem”. “Que os anjos digam AMEN” respondeu ele. Foram as suas últimas palavras aos homens. Como que descansando a cabeça sobre o travesseiro, os olhos vítreos, os lábios continuavam em movimento de oração...E assim rezando faleceu o nosso querido arcebispo”.
No dia seguinte apó a celebração da S.Missa, “ praesente cadavere”, um avião oferecido pelo Governador de São Paulo, conseguido por intermédio de S.Ex.cia o Cardeal de São Paulo, transportou os venerados restos mortais de São Paulo para Cuiabá, piedosamente assistidos por um grupo de salesianos. Toda a cidade afluiu ao longo da ponte do rio Cuiabá, para esperar aquele que justamente era considarado o Pai das almas e da Pátria.

Durante o solene pontifical, presidido por Dom Orlando Chaves, bispo salesiano de Corumbá, com a assistência de outros quatro bispos, o seu auxiliar, Dom Campelo, pronunciou o elogio fúnebre com acentos de profunda comoção. Pela tarde, tendo melhorado o tempo após uma chuva torrencial na parte da manhã, o cortejo fúnebre percorreu as ruas da cidade , com todas as honras reservadas aos Presidentes eméritos do Estado.

O extremo adeus dado ao Pastor da Arquidiocese à entrada da catedral, antes do sepultamento, em nome do Governo, da Assembleia Legilslativa, da Magistratura, da Municipalidade e das várias classes sociais, foi a prova mais eloquente da gratidão de um povo inteiro para com aquele digno e inesquecível prelado da Igreja Católica.

Agora o venerado pastor descansa sob o presbitério da sua catedral, do lado do evangelho, segundo o seu desejo, para que os fiéis que se achegarem para a comunhão se lembrem de rezar por elr: tumba gloriosa, sobre a qual não faltarão flores e orações do bom povo cuiabano, que sempre o considerou um dos seus filhos mais ilustres, uma das suas glórias mais puras.

Também os seus irmãos salesianos não poderão se esquecer de quem deu tanto brilho à Congregação e tão bem viveu o espírito de São João Boco em todos os mais variados encargos que a Divina Providência lhe confiou para o bem da Igreja e da sua Pátria.
Lembremo-nos dele diante do altar e nas nossas comunhões, segundo seu humilde e vivo desejo."

fonte: http://www.missaosalesiana.org.br/falecidos.php?id=291

terça-feira, 1 de abril de 2014

PÁSCOA 2014



O tríduo pascal


A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.


O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.


No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:


Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.


Logo estabelece a duração exata do tríduo: O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.


Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".


É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".


Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados. Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.


Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".


Pensamentos para o tríduo.


A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".


Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).


A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.


O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.


Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.



Fonte: www.acidigital.com